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Há pessoas que marcam a vida da gente pra sempre

Cultura por Renata Barcellos em 2018-12-11 19:06:29


O belo curta Há pessoas que marcam a vida da gente pra sempre tem roteiro, direção, atuação, fotografia e edição de Tetsuo Takita. Foi produzido durante 1° a 4° de novembro no Festival 72 horas com participação especial de Zezé Motta. O texto é uma homenagem à condenação dos carrascos dos manifestantes mortos pela Ditadura. Trata-se de um filme híbrido. Bem estruturado, mescla a narrativa que se entrecruza em duas dimensões: o do período histórico da Ditadura e o de histórias de grupos socialmente excluídos (neste caso, de homossexuais e de ciganas) e o universo literário. Cabe destacar as cenas finais. Uma delas é a do guerrilheiro Leo dizendo ao ser amado “Às vezes, é preciso se perder para se encontrar” e a do conselho da cigana “Nao deixa ele partir” e, no meio, a cena de um homem morto no chão e alguém dizendo “Seu Raul, seu Raul”.

Quato à Literatura, o próprio título trata-se de um pensamento de Cecília Meireles ((Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 - Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) “Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre” e com a citação de Baudelaire (Paris, 9 de abril de 1821 — Paris, 31 de agosto de 1867): “É preciso que vos embreagues com vinho, poesia e virtude”. Duas grandes referências da Literatura universal. Este conhecido como “Pai do Simbolismo”, ele foi precursor do movimento simbolista na França e também o fundador da poesia moderna. Sua obra mais emblemática é intitulada “Flores do Mal” (1857). Aquela, foi escritora, jornalista, professora e pintora. É considerada uma das mais importantes poetisas do Brasil. Sua obra de caráter intimista possui forte influência da psicanálise com foco na temática social.

 Para complementar o enredo da narrativa, como pano de fundo, trilha sonora original. As três músicas sintetizam bem as histórias apresentadas. Em destaque para Esse desejo maluco de te amar (André Lures e Jackie Fernandes): “Não entendi esse jeito de amar... desejo tão puro e verdadeiro ... Sei que posso me entregar e me libertar ... medo de sentir essse desejo maluco de te amar”. Esta compõe a temática da história de amor a um guerrilheiro (muito bem interpretado por Kadu Borges).

Quanto à atuação do elenco constituído por Rodrigo luther king, Kadu Borges, Dora Freitas, André Sobral, José Eugenio, Vicente Luiz, Felipe Vaz eTetsou Takita, pode-se dizer que atuaram muito bem. Cada um no seu papel soube transmitir a mensagem da história de seus personagens. Vale destacar não só a parte da violência sofrida pela cigana “se fosse não fosse tão orgulhosa e burra... vocês, ciganos, negros, travestis... são todos lixos” como também a participação especial da atriz Zezé Motta. Sua carreira iniciou em 1967 na peça Roda-viva, de Chico Buarque. Participou de filmes como Orfeu  e atuou em  novelas, em destaque para Xica da Silva, seu papel era da mãe de Xica, no início, e Xica, na maturidade. A cena final na qual diz: “Eu sou o que sou. Tem alguém a sua espera”.

O curta de 6 minutos apresenta assim um roteiro que nos leva a várias reflexões: o significado da Ditadura, a barbárie cometida, a perseguição de grupos considerados socialmente excluídos (homossexuais, ciganos...). O título Há pessoas que marcam a vida da gente pra sempre reporta-nos não só ao ser amado, a pessoa que entra em nossa vida para transformá-la de forma positiva. Ela passa a ser um divisor de águas. Antes e depois do grande amor de nossa vida; como também àquelas pessoas negativas que chegam para trazer desavensas, para destruir como o agressor da cigana. Tanto os anjos bons como os ruins imprimem suas marcas em nossas almas. É preciso depreendermos algum ensinamento por mais devastadora a experiência vivida. Parabéns pelo belo trabalho, Tetsuo Takita. Em tempos de tanta intolerância, é preciso abordar a temática e discuti-la sobretudo em sala de aula. Com certeza, será uma proposta pedagógica minha em 2019.

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