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POR ELAS

Cultura por Renata Barcellos em 2018-12-17 16:35:27

Em cartaz na Caixa Cultural, POR ELAS, belo texto (de Ricardo Leite Lopes em parceria com Silvia Monte) constituído por 7 relatos de violência contra a mulher. Trata-se de experiências vivenciadas por mulheres de nível socioeconômico-cultural distinto a fim de que a plateia possa refletir sobre a temática e verificar como em cada segmento social as pessoas envolvidas mudam, mas a problemática persiste. Segundo os autores:

— O tema é de uma atualidade absurda! O mundo todo está falando sobre a violência contra a mulher. Na nossa frente, ao nosso lado, mulheres são assediadas, estupradas, mortas só por serem mulheres. As estatísticas são alarmantes, ocupamos o quinto lugar entre os países que mais assassinam mulheres por razão de gênero.

As 7 figuras masculinas apresentadas dois atores (Anderson Cunha e Lucas Gouvêa se revezam na interpretação dos casos) representam o universo machista, perverso que afolram a máxima de uma relação doentia baseada no paradoxo “amor e ódio”, desencadeando antíteses milenares como “submissão e poder”. Isso é verificado no relato apresentado pelas atrizes (Adriana Seiffert, Ana Flávia, Deborah Rocha, Elisa Pinheiro, Gisela de Castro, Letícia Vianna, Renata Guida, Rosana Prazeres). De acordo com Silvia Monte, diretora e idealizadora do belo projeto:

“A questão da violência contra a mulher é um tema que não pode deixar de ser pensado na arena da dramaturgia brasileira. O teatro, ao representar os conflitos e as ambiguidades do humano, acolhe e aproxima – de forma menos cruel – as pessoas da realidade. O espetáculo se propõe a ser um espaço de comunicação, sensibilização e visibilidade para o fenômeno da violência de gênero. Precisamos pensar sobre essa questão, e o teatro é um lugar ideal para atingir mentes e corações”.

Quanto às narrativas, vale destacar alguns pontos: o conflito entre as mulheres violentadas, a percepção da gravidade da situação como em: “mulher de bandido se envolve e depois quer ser bem tratada”. Os questionamentos feitos para levar as personagens e o público à reflexão: “você acha que bandido está preocupado se bate em mulher?”, “como defender direitos no século XXI se parou no século XVI?”… No final, a última história relatada na qual a posição da mulher foi diferenciado. Nesse caso, a mulher arruinou o homem até que ele saiu da “inércia” e cometeu o ato violento. Também cabe ressaltar os aspectos históricos mencionados como “Ordenações Filipinas” e “ Depois do Império”. E as sentenças atribuídas a cada um dos 7 protagonistas de momentos de violência com a sua mulher: “Brad, feminicídio e foragido”…

A peça deveria não só ter apoio para percorrer o Brasil pela suma importância da temática tratada como também haver parceria com as secretarias de educação para levar a discussão à sala de aula. Até porque um dos relatos é sobre o abuso de uma enteada. Infelizmente, fato esse muito recorente na realidade de muitos educandos. De acordo com pesquisas, o Mapa da Violência, quase 5 mil mulheres foram assassinadas no país, em 2016. O resultado representa uma taxa de 4,5 homicídios para cada 100 mil brasileiras. Em dez anos, houve um aumento de 6,4% nos casos de assassinatos de mulheres. Diante dessa estatística, urge o debate nas diversas instituições educacionais e segmentos sociais. De acordo com a diretora Silvia Monte, “Precisamos pensar sobre a violência de gênero, e o teatro é lugar ideal para atingir mentes e corações”.

Ainda cabe dizer que, até mesmo no final, o público surpreeende-se porque entende a frase  “até que a morte nos separe”. Parabéns à iniciativa de Silvia Monte e ao trabalho na luta contra a violência doméstica desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. 

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