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“O Insaciável Zé Carioca”

Cultura por Renata Barcellos em 2018-12-18 17:15:36

 A peça “O Insaciável Zé Carioca” é uma proposta do novo e promissor grupo teatral Caravana Haole. Sao 5 atores com domínio de palco em cena (2 homens e 3 mulheres: Bruna Trindade, Felipe Bustamante, Maria Celeste Mendozi, Rodrigo Salvadoretti e Zéza). A cada cena, enquete, atribuem a carga dramática exigida pela situação vivenciada. Os autores do roteiro Felipe Bustamante e Jopa Moraes compuseram um roteiro muito bem redigido com detalhes importantes sobre o lugar ambientado, Lapa,  o berço da boemia carioca, e abordando diversos aspectos dos frequentadores, ambulantes  e da segurança pública do local no atual cenário. Vale destacar também a bela direção de Jopa Moraes. São mais de uma hora de bela atuação no palco da Fundição Progresso.

O texto aborda fatos sociais ocorridos atualmente em nossa sociedade: crise econômica e segurança pública. No caso desta peça, a longa greve dos garis desencadeou toda a trama: acúmulo de lixo e cenas de violência (uma série de assassinatos em massa cometidos pelo “Zé Carioca”, no centro do Rio de Janeiro). Retratando assim uma sociedade capitalista/consumista que, em plena era tecnológica, não sabe como descartar seus detritos de forma sustentável ainda.

O espetáculo proporciona reflexões acerca de questões como: a importância do papel desempenhado pelo gari “essa cidade tá um lixo. Se não tiver ninguém para resolver, só vai acumular.... teremos um shopping chão”, a identidade dos frquentadores da Lapa, o drama vivenciado pelos ambulantes, a atuação da segurança pública na figura dos agentes Pires e Amado representando Lapa Presente e a violência quotidiana que atravessa os diversos guetos sociais dali. Isso tudo através de esquetes como a inicial de Mirian com esses dois agentes; de comparação: “você consegue entender para achar bonito igual música em inglês”; de alusões a Orfeu “Orfeu ao contrário” ao Zé Carioca; expressões: “economia copartilhada, “dá a Caesar o que é de Cesar”; “de questionamentos feitos pelos personagens “qual o meu papel nesta história toda? Sou personagem de desenho animado?”; ironia, por exemplo, no esquete da religião: “será que eles entraram em transe?;  crítica social: “ não, crente não. Chave de carro, cartão... Isso não é pata mim”; de pensamentos: “tem que ser duro o suficiente para não amolecer como na panela de pressão”, “a vida é um texto que nunca começa” e “minha esperança é doença foragida da cura”;  e de dados estatísticos apresentados “apreensão de 6 armas brancas, 27 detidos por roubo e furto, 73 por outros delitos...”.

De todas as esquetes, a que mais representa o grave problema social econônico vivenciado na atualidade é o do neto que começa a cometer os assassinatos na figura do Zé carioca. Este trata-se de um personagem fictício desenvolvido no começo da década de 1940 pelos estúdios Walt Disney. Ele é retratado como o típico malandro carioca. O neto entra no mundo do crime argumentando ter cobranças com “valores exorbitantes” a pagar. As dívidas iniciaram porque “há 27 dias sem um morto”. O Zé Carioca tinha sumido, ele assume o papel e recomeça a série de assassinatos para mover a economia local. A peça termina com o fim da greve dos garis, com eles limpando o lixo espalhado por todo o lado e sambando. Eis um belo desfecho para se refletir sobre o caos urbano por todos nós vivenciado.

SERVIÇO

Temporada: 6, 7, 10, 14, 15, 17, 19, 20, 21, 22/dezembro

Horário: 20h
Local: Espaço Armazém – Fundição Progresso (Rua dos Arcos, 24 – Centro – Rio de Janeiro)
Preço: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (meia)
Lotação: 101 lugares
Classificação: 16 anos
Duração: 85 minutos

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