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O Segundo Armário

Cultura por Renata Barcellos em 2018-12-19 08:30:23

O monólogo Segundo Armário interpretado por Hugo Caramello com a carga dramática exigida pelo teor do tema tratado de um jovem que descobre ser soropositivo. A narrativa de cerca de uma hora de duração apresenta alguns relatos mais densos. Vai da angústia “acho que morre algo em mim a cada dia… eu não quero. Quero vida com abundância” inicial ao sentimento de esperança “vejo a vida com novos olhos… é hora de reagir”, no final, a fim de transmitir a mensagem de que, mesmo com o vírus, é possível viver com o acompanhamento médico e o uso de medicação.

Vale destacar que o roteiro é baseado no livro homônimo de Salvador Corrêa (autor muito simpático – fui apresentado por Tetsu Takita). O texto foi muito bem adaptado por Antonio de Medeiros. Soube sintetizar todo o drama vivenciado pelo autor. Jean Mendonça teve sensibilidade na direção para orientar a bela interpretação de Hugo Caramello. A estreia no Mês de Conscientização e Combate à Aids foi excelente para reforçar a importância da prevenção. E, para isso, colaborando com a proposta, o uso da coloração vermelha inicial, os esclarecimentos sobre a doação da parte da venda do livro para população vulnerabilizada com HIV e da caixinha para arrecadar fundos para a campanha na periferia contra o HIV.

O relato inicia com o momento no qual ele faz o exame e descobre ser soropositivo no dia 11 de abril. O ano não foi divulgado. Fica aqui uma sugestão para anexarem-no e também de fatos sociais ocorridos na época. Como há o recurso da tela projetando imagem, seria pertinente o uso desta estratégia até para o entendimento dos mais jovens que, antes, o uso da medicação provocava lipodistrofia não quero que minha aparência mude. Não quero sentimento de pena”. É importante ressaltar a dinamicidade dada pelo uso da tecnologia, os HQs… Saliento a do herói e da fala: “eu tenho a força”.

Quanto ao roteiro de Antonio de Medeiros, cabe enfatizar também o uso das figuras de linguagem que atribui uma pitada de poética ao drama relatado como o uso de: metáforas para abordar a gravidade do tema tratado como: um buraco se abriu em mim e eu caía infinitamente”, “homem sentado de olhos doce” e “beijo a esperança; comparações: “bruxa verde” e “como leão vigiando a presa” e personificações “o amor da minha vida bateu a minha porta”, “ a solidão bate à porta”… E finaliza com mensagem de esperança: “quero amar muito e intensamente. Fora do armário contribuo mais”.  

Concluo esta breve apreciação com a letra da música cantada pelo ator em alguns momentos do relato:

  • Se Eu Quiser Falar Com Deus - Gilberto Gil

    Se eu quiser falar com Deus
    Tenho que ficar a sós
    Tenho que apagar a luz
    Tenho que calar a voz
    Tenho que encontrar a paz
    Tenho que folgar os nós
    Dos sapatos, da gravata
    Dos desejos, dos receios
    Tenho que esquecer a data
    Tenho que perder a conta
    Tenho que ter mãos vazias
    Ter a alma e o corpo nus
    Se eu quiser falar com Deus
    Tenho que aceitar a dor
    Tenho que comer o pão
    Que o diabo amassou
    Tenho que virar um cão
    Tenho que lamber o chão
    Dos palácios, dos castelos
    Suntuosos do meu sonho
    Tenho que me ver tristonho
    Tenho que me achar medonho
    E apesar de um mal tamanho
    Alegrar meu coração
    Se eu…


OBS. Fotos de Tetsu Takita 

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