Rede Mídia de Comunicação | Rede Sem Fronteiras

Você está em: Início > Notícias > Literatura > Os dragões não conhecem o paraíso

Os dragões não conhecem o paraíso

Literatura por Renata Barcellos em 2018-12-22 22:39:23

Os dragões não conhecem o paraíso é uma adaptação teatral de um conto de Caio Fernando Abreu (1948-1996), publicado no livro homônimo em 1988. Trata-se de um homem que divaga sobre como conviver com a companhia de um “dragão” abordando os seguintes temas: o amor, a solidão e a esperança.

A peça é encenada em um espaço alternativo: na sala do apartamento do ator Nelson Yabeta. Ao chegar, somos agraciados com um chá de hortelã e um guardanapo com duas citações do texto ”Os homens precisam da ilusão do amor. Da mesma forma que precisam da ilusão de Deus” e “Nada disso existe”. E, em seguida, começa a bela atuação. No cenário, apenas uma pequena cadeira e um abajur. A nova proposta intimista que tem surgido proporciona um contato direto com o ator e, ao término, propicia um bate-papo. Tivemos a oportunidade de conversar com ele sobre esta relação imediata entre ator e plateia. Segundo ele, “é uma troca louca, onde ambos ficam expostos. Interessante esta montagem, troca de contato”.  

Vale ressaltar que os dois fragmentos escritos no guardanapo costuram o enredo da narrativa: Quanto aos ”Os homens precisam da ilusão do amor. Da mesma forma que precisam da ilusão de Deus”, refere-se ao fato de que para suportar as pressões sociais, as decepções e frustrações, é preciso acreditar no AMOR e em DEUS. Esses dois elementos são a mola propulsora do HOMEM. Faz com que ele prossiga e supere “as pedras no caminho”. Já “Nada disso existe”é o seu momento de lucidez diante do caos no qual está inserido.  E todas as mazelas são simbolizadas pela figura do dragão na fala constante no texto: “Tenho um dragão que mora comigo”. Cada um de nós nas diversas áreas e momentos da vida tem o seu. É “mutável”. Outras metáforas são utilizadas para dar mais densidade ao que estava sentindo como:  “manhãs áridas”, “para não se afundar no poço da solidão absoluta”,  “navegar o mínimo na dor”, “eu estou ilhado”;  as antíteses “Tudo sem ele é nada” (esta sintetiza bem a essência do texto, o sentimento dele de decepção total);

Ao término, ficou-nos uma mensagem “Hoje, acho que sei... um dragão vem para que seu mundo cresça.  Que nossos dragões venham para nos trazer fortalecimento, que aprendamos com nossos erros e/ou com a “puxada de tapete dos outros”!!! Independente de se acreditar no AMOR e em Deus, que confiemos um nos outro, que tenhamos esperança no mundo e, sobretudo, acreditemos no nosso potencial, capacidade de transformação!!!

Concluímos com o fragmento da música utilizada em alguns momentos ao longo do monólogo:

 

Olha - Chico Buarque

 

Olha, você tem todas as coisas
Que um dia eu sonhei pra mim
A cabeça cheia de problemas
Não me importa, eu gosto mesmo assim

Tem os olhos cheios de esperança
De uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças
Coisas que eu quis ser e não fui

Olha, você vive tão distante
Muito além do que eu posso ter
Eu, que sempre fui tão inconstante
Te juro meu amor
Agora é pra valer

Olha vem comigo aonde eu for
Seja minha amante e meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho
E viver a vida só de amor

E com a súplica final: “vê se leva o mal que me arrasou para que não faça sofrer mais ninguém!!!

Parabéns ao ator e a todos os envolvidos pelo belo trabalho. Texto cada vez mais atual.  De acordo com o ator, a escolha do texto foi motivada pela experiência pessoal . “há um ano trabalha o texto. Faz dois meses apresentou à diretora. Texto escolha pessoal. Processo artístico é proveniente de um questionamento pessoal. Um relacionamento quando acaba, vc se questiona... momento de catarse, libertação...” Para a diretora Celina Sodré, trata-se de um “processo terapêutico”  , tentativa de cura interna.

Ficha Técnica:

 

Texto: Caio Fernando Abreu Direção: Celina Sodré Elenco: Nelson Yabeta

Assistente de Direção: Conrado Nilo Produção Executiva: Guilherme Albertini Designer Gráfico: Karina Celeste Fotografia: Nicholas Bastos

Audiovisual: Cesar Augusto

Realização: Cia. Teatral Casa dos Azulejos e Instituto do Ator

Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós

* Seus dados não serão exibidos a terceiros.

Publicidade

Veja também