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Yerma

Literatura por Renata Barcellos em 2019-01-16 09:11:32

O “espetáculo” Yerma cuja temática central é o desejo de uma mulher em tornar-se mãe e não conseguir conceber um filho.  Para abordá-la, diversas situações e conflitos são retratados na trama, questões relacionadas à convivência social, aos relacionamentos, à religiosidade e honra, principalmente feminina. A personagem principal (Yerna) recorre a diversos meios nada aceito socialmente para tentar engravidar e se depara com a indiferença do marido, que não compartilha de seu sofrimento. Ao descobrir que Juan não nutre o desejo de ser pai; transtornada, ela o estrangula.

O poema dramático de Garcia Lorca é um misto de amargura causada proveniente de um fato recorrente na época: marido indiferente, obrigação moral de manter-se em um casamento sem amor, confinamento e vigilância submetida pelo marido e suas cunhadas; e doçura como o texto foi elaborado. O texto híbrido: narrativa, poesia, música, dança e encenação de peça dentro da própria peça. Em vários momentos mais dramáticos do texto, há a declamação de poesias do autor como este abaixo:

 

“Filho meu, dir-te-ei que sim.

 

Despedaçada me dou a ti.

 

Sofre a cintura que te ofereço,

 

e que será teu primeiro berço!

 

Quando, meu filho, poderás vir?”

 

Vale dizer que este poema dramático Yerma foi escrito em 1934, por Federico García Lorca. Ela é um dos grandes personagens da história do teatro moderno – talvez por se mostrar tão obstinada a cumprir um desejo não partilhado pelo marido. O poeta e dramaturgo nasceu em 1898, em Fuente Vaqueros, quando a Espanha tentava florescer nas letras e nas artes. Escreveu também Bodas de Sangue (1933), uma história verdadeira de ciúme e morte entre camponeses de Andaluzia, peça teatral que abriu uma nova era no teatro moderno da época; Em seguida, Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936), que ficaram conhecidas em diversos países, dentre outros textos.

Para dar vida a esta personagem e trazer ao conhecimento do público este texto, a CAL - Casa das Artes de Laranjeiras produziu um belo espetáculo valorizando as artes cênicas e incentivando a cultura. Todos os envolvidos estão de parabéns!!! O diretor pela escolha do texto e os 15 atores pela atuação primorosa. Dão o tom do drama mesclado com a sutileza da poesia em meio ao uso de muitas figuras de linguagens como a comparação “a mulher sem filhos como punhado de espinhos”, “fico só como a lua se procura-se”; a metáfora “seca e murcha, “de tanto cair chuva nas pedras com o tempo crescem flores”, “quanto mais brilha a casa, mais queima por dentro” e a sinestesia “como cheirava a maçã estas roupas” e “quando teu corpo cheirar yasmim”.

Vale a pena conferir mais um maravilhoso espetáculo produzido pela CAL - Casa das Artes de Laranjeiras!!! Que venham muitos mais!!!

 

Ficha técnica:

Texto – Federico García Lorca

Tradução – Cecília Meireles

Direção – Antonio Gilberto

Luz – Aurelio De Simoni

Cenário e Figurinos – Ronald Teixeira e Guilherme Reis

Direção Musical e Guitarra Flamenca – Sergio Otero

Preparação Corporal – Marluce Medeiros

Assistente de direção – Felipe Prado

Assistente de produção – Silvio Garcia

Projeto Gráfico: Rita Ariani

Fotografia: Pablo Henriques

Direção de Produção: Marcia Quarti

Elenco – Isabela Manhães, Ana Beatriz de Paula, Bia Ribeiro, Carla Schmidt, Carlos Diegas, Elaine Jales, Lucas Popeta, Giovanna Muricy, Gabriela Nascimento, Guilherme Migon, Isabelle Medeiros, Juliana Offredi, Mari Leba, Monique Alves Thalys Guarnieri

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