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Bitucanto: um espetáculo em homenagem a Milton Nascimento

Cultura por Renata Barcellos em 2019-01-17 00:28:58

Hoje, dia 16/01, às 20h, no Oi Casa Grande (Shopping Leblon), fui assistir à apresentação única do ESPETÁCULO Bitucanto. O neologismo criado para intitular a homenagem a Milton Nascimento é composto pela fusão de duas palavras: “bituca” (apelido atribuído na na infância, porque fazia bico toda vez em que era contrariado). E “canto”por se tratar de um dos maiores compositores/interpretes da música popular brasileira. Para a realização do evento, como convidado Zé Renato, participações especiais de Débora Braga e PC Castilho e abertura de Doces Bardos, dirigido por Clarisse Grova. A entrada já foi maravilhosa. E tornou-se divina com a entrada do coro da Escola Vila Lobos composta por 23 excelentes cantores. Eles encantaram a todos da plateia com a interpretação (canto e cênica) das 23 letras poéticas do homenageado, dentre elas: Caçador de mim, Nada será como antes, Canção da América e Maria, Maria. A direção (direção musical: José d´Assumpção Jr, a preparação vocal: Dani Ramalho, a direção cênica: Nayamara Bomfim e Tayara Maciele a produção: Glaucia Sundin) do espetáculo está de parabéns pelo figurino, jogo de luzes, escolha do repertório, a encenação...!!!

Vale destacar alguns momentos: a alusão feita à tragédia de Mariana, Minas Gerais, em 5/11/2015. Ao som de uma de suas composições: Olho d’água, as imagens do fato ocorrido. A intertextualidade com o Pai-Nosso presente na letra da música Oração (e o tom litúrgico atribuído, o som de sinos tocando). A interpretação de PC Castilho (se fosse só a voz, todos diriam que era a do Milton Nascimento). A presença de duas intérpretes (LIBRAS presente, VIVA!!!). E a participação de Maria Elisa POLESHUCK (uma das sopranas) excelente cantando, encenando e dançando.
Quem foi pensando que assistiria a um espetáculo como os outros da atualidade apresentando uma narrativa na qual fosse contada a história da vida do homenageado se surpreendeu. As duas horas de bela apresentação foram destinadas à encenação e interpretação de músicas dele e trechos de outros compositores como: Marcos Valle (Fé cega, faca amolada) e Chico Buarque e Gilberto Gil (Cálice). O teatro estava lotado. Vários momentos de aplausos e muitos agradecimentos ao término a todos os envolvidos no projeto.
 
Minibiografia de Milton Nascimento (1942)
 
Filho de mãe solteira, nascido no Rio de Janeiro, Milton ficou órfão aos dois anos e foi morar com a avó em Juiz de Fora (MG). Lília, filha da patroa, havia acabado de se casar e demonstrou interesse em adotá-lo. Aos seis anos, ele se mudou com os pais para Três Pontas (MG).
"Sou fascinado pela minha família, acho que eu não poderia ter tido mais amor, educação e liberdade em nenhuma outra família no mundo. Eles moldaram a minha vida. Meu primeiro instrumento foi uma harmônica dada pela minha avó. Ela me deu um acordeão, e foi aí que minha vida musical começou" disse Milton Nascimento 
 
Finalizo esta breve apreciação com as palavras de Nyaramara Bonfim (direção cênica) e José d’Assumpção Jr (diretor musical):
 
“Assim, embalado pela obra genial de Bituca, nasce desse encontro entre som e cena um roteiro destinado a fazr menção implícita ao eterno reinventar-se de cada um de nós, a partir da qual o ciclo da vida, repleto de travessias, reafirma o quanto os desafios e riscos do caminho são o que, verdadeiramente, emancipam homens e mulheres para plantarem amor e cultivarem empatia, argumentos únicos capazes de falar de humanidade para um mundo tão surdamente desumano”.
 
Como mencionou José d’Assumpção Jr (diretor musical), a função de ir ao teatro é “sair de alma renovada”. Com certeza, hoje, todos presentes saíram REVIGORADOS e com as músicas na cabeça. 

Fragmentos de composições de Milton Nascimento:

 

“Por tanto amor, por tanta emoção a vida me fez assim doce ou atroz, manso ou feroz, eu caçador de mim”.

“Mas é preciso ter manha. É preciso ter graça. É preciso ter sonho sempre. Quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania, de ter fé na vida”.

“Ponha fé na vida, ponha os pés no chão”.

“Amigo é coisa pra se guarda do lado esquerdo do peito!”

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