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A Próxima Estação – Um espetáculo para ler

Cultura por Renata Barcellos em 2019-02-09 23:33:55

Mesmo com um baita resfriado oriundo do temporal de quarta-feira, fui assisti a A Próxima Estação – Um espetáculo para ler. Estava curiosa para verificar a proposta com a projeção da arte visual de Cristina Gardumi. Ela cria a imagem dos protagonistas Violeta e Massimo a cada etapa da vida narrada. Por vezes, são apresentadas acompanhadas de breves informações como o ano e a idade do casal.  O que dizer de tudo? Espetacular!!!! Faço das palavras do ator Cacá Carvalho as minhas: “vi ali a força de uma dramaturgia inovadora”.

O texto do premiado autor italiano Michele Santeramo (ex-aluno do ator Cacá Carvalho) é excelente. Diálogos curtos, linguagem objetiva, regado de crítica social e de sinestesia. Vale destacar o fato de ter sido encenada na Itália pelo próprio autor, no início de 2015, obtendo excelente repercussão crítica. A bela tradução foi do próprio ator brasilero. Com muita sensibilidade, conseguiu manter a essência paradoxal: escrita simples mas conteúdo denso. A entonação do ator para cada época vivida pelo casal Violeta e Massimo. O tom para cada personagem a cada etapa de suas vidas unido as imagens projetadas deles prendeu a atenção de todos os presentes. A dinâmica consiste nele ler o texto integral acompanhado da figura do casal.

O enredo trata-se da história de um casal (Violeta e Massimo) apresentada em seis estações, marcadas por intervalos de uma década, ao longo de 50 anos, de 2015 a 2065. O espetáculo ressalta os fatos característicos de cada uma dessas etapas, depreeendendo os pequenos e grandes embates do relacionamento, as modificações de seus desejos, a expressão da ternura, a maneira como eles se divertem, a inata delicadeza e as adaptações que terão de enfrentar impostas pelo novo modo de vida de um futuro fictício, no qual pulsações profundas, desejos e paixões se deslocam no tempo. De tudo que é abordado destaco a informação inicial: a mãe dos dois não desejavam a gravidez. E, ao longo da vida deste casal, não ter filhos foi sempre uma questão. Violeta queria, Massimo não. Recusou-se aos 40 anos a usar pílula para que ela gerasse um filho. Algumas décadas depois, diante das limitações da idade, ele culpa-se por ter optado ao não uso da metodologia da época. O texto levo o espectador a refletir sobre  maternidade /paternidade, a importância de cultivar um sentimento para enfrentar as transformações da sociedade como a alimentar: barrinhas de ceriais, máquina da memória.... Enfim, um texto que nos faz viajar pelas décadas vivenciadas e seus dramas, questionamentos. Ao término do ESPETÁCULO, o ator agradeceu a todos os responsáveis pela realização da peça e fez questão de cumprimentar a cada um da plateia de forma muito afetuosa e particular. Parabéns pela bela atuação e recepção!!! Como ele disse, “cada cadeira vazia foi feirta para se ocupada”. OCUPEMOS O TEATRO, OS MUSEUS, O CINEMA... Isso é ser protagonista!!! Isso é CULTURA!!!

 

SERVIÇO

De 31 de janeiro a 24 de fevereiro
Local: Sesc Copacabana – Mezanino
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana.
Dias e horários: De quinta a domingo, às 20:00

 

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