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Na Hora do Adeus

Cultura por Renata Barcellos em 2019-03-01 06:41:58

“Na Hora do Adeus” trata-se de uma peça de caráter intimista, reflexivo. Jarbas Capusso Filho aborda duas temáticas consideradas “mal do século”: depressão e suicídio a partir da história de um casal interpretado pelos atores Marcus Tardin e Kenny Alberti. Parabéns pela atuação!!! Apesar de toda a gravidade do assunto, não há um tom pesado no texto e na encenação.

O roteiro apresenta várias referências a áreas diversas como ao filme Rocky Balboa (um filme escrito, dirigido e protagonizado por Sylvester Stallone como o boxeador) cuja teor é a luta. Aqui, no sentido metafórico a fim de que as pessoas conscientizem-se de que urge superar as perdas, as frustrações ... Caso contrário, mergulham em um buraco, muitas vezes, sem volta. É preciso ser forte para não se abater a ponto de não se perder dentro de si. Como já dizia Gonçalves Dias sobre a vida:

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar”.

Dentre outros recursos expressivos utilizados, o texto é constituído por inúmeras metáforas: “a vida é um sonho”, “Sua alma fugiu pelo olhar”, “Mergulhar na escuridão dos meus olhos”, “Seu quarto se trannsformou em meu inferno agora”, “A morte é uma leoa” e “Ela espera você estar só. Ela espera a solidão fazer seu trabalho”. O que lhe confere leveza aos temas tratados.

E o ponto mais importante da narrativa foi mostrar à personagem sua capacidade de superação com frases como: “acredite em você”, “para frente sempre”, “você pode. Só depende de você”. Outro fator são os casos mencionados de suicídio e tentativas. Segundo o ator Tardin: “Temos a certeza que em um mundo cada vez mais carente de amor e afeto, onde tanto desânimo vem abalando a sociedade de forma geral, precisamos vibrar energias de força, equilíbrio e harmonia, é para isso que construímos este trabalho e é sobre isso que desejamos pensar junto com o público”.

Para reflexão:

Dada à importância do tema tratado, o Ministério da Saúde mostra como o índice de suicídios cresceu entre 2011 e 2015 no Brasil. “É a quarta maior causa de mortes entre jovens de 15 e 29 anos. Em 2011, foram 10.490 mortes: 5,3 a cada 100 mil habitantes. Já em 2015 o número chegou a 11.736: 5,7 a cada 100 mil, segundo dados são do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Os homens são os que apresentam as maiores taxas de mortalidade, 79% do total, enquanto o número de mulheres é 3,6 vezes menos, 21%. Viúvos, solteiros e divorciados também foram os que mais morreram por suicídio (60,4%).

Os dados mostram que os indígenas são os que mais cometem suicídio (15,2), se comparados com brancos (5,9) e negros (4,7). Assim como os moradores da região do Sul do Brasil, que morreram mais por conta de suicídio, enquanto os índices do Nordeste são os mais baixos”.

Já em relação às tentativas de suicídio, as mulheres são maioria (69%) e 31,1% tenta mais de uma vez. Entre 2011 e 2016 ocorreram 48.204 tentativas e o principal meio é envenenamento ou intoxicação (58%).

Devido a toda esta estatística, o governo criou um Plano Nacional de Prevenção ao Suicídio, além de disponibilizar, a partir de 30 de setembro de 2017, ligações gratuitas para o 188 (Centro de Valorização da Vida) nos estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Piauí, Roraima, Acre, Amapá, Roraima e Rio de Janeiro.

As iniciativas se unem ao plano da Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa diminuir o número de suicídios em 10% até o ano de 2020. (Atualmente, 800 mil pessoas cometem suicídio anualmente). https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2017/09/numero-de-suicidios-aumentou-12-no-brasil-mostra-ministerio-da-saude.html

Para finalizar, dois fragmentos do texto da peça: “um homem precisa de emoções esteja onde estiver” e “os cavalos nunca choram na hora do adeus”.

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