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Encontro com Luiz Fernando Ruffato

Literatura por Renata Barcellos em 2019-03-24 17:28:29

A tarde de terça-feira, dia 19 de março, foi muito agradável e enriquecedora com o simpático Luiz Fernando Ruffato (Cataguases, Minas Gerais, 1961), na UFRJ. O contista, romancista e poeta veio ao Rio de Janeiro para um encontro com os alunos da Pós-graduação em Letras Vernáculas e também para o público em geral. A mediação foi realizada pelos professores Cesar Garcia Lima e Godofredo de Oliveira Neto da instituição.

O escritor transferiu-se para São Paulo em 1990, e atuou no Jornal da Tarde até abandonar a função de jornalista em 2003. Ano no qual começar a dedicar-se só a literatura. Para ele, no jornalismo, sempre ficava a pergunta ao ler um texto além das informações transmitidas. Revela que escrever é um ato matinal. E ele não redige para leitor, não tem compromisso com quem o lê e nem com o mundo editorial. Mas sim comigo e com a Literatura.

Estreou na prosa com o volume de contos Histórias de Remorsos e Rancores (1998), seguido de Os Sobreviventes (2000), ambas as obras são reescritas e, reeditadas, passam a integrar o conjunto Inferno Provisório. A seguida, lança Eles Eram Muitos Cavalos (2001), considerado pela crítica como um dos mais importantes livros da ficção brasileira contemporânea. Centrado na história do operariado brasileiro no período de 1950 a 2002 - Inferno Provisório - composta dos romances Mamma, Son Tanto Felice (2005), O Mundo Inimigo (2005), Vista Parcial da Noite (2006), O Livro das Impossibilidades (2008) e Domingo sem Deus (2011).

Segundo o autor, a sua obra nasce de um projeto claro, orientado por uma premissa estética e política - trazer para as páginas da ficção brasileira cenas e personagens egressas de um lugar social determinado: a classe média baixa, o operariado brasileiro, figuras que, aos olhos do autor, são muitas vezes trabalhadas de maneira rasa, ou sob olhar paternal. É considerado por críticos e historiadores como uma das mais importantes manifestações da literatura brasileira nos anos 2000.

O seu processo de escrita ocorre quando o livro já está estruturado “dentro de mim, só depois de escrito em meu corpo”. O romance Eles Eram Muitos Cavalos foi escrito ao ler o texto de Cecília Meirelles o qual se passa no momento do fato histórico da Inconfidência Mineira. Para o autor, ficou a questão: e com os cavalos, o que houve?       O que aconteceu com eles?

Após uma breve explanação de Ruffato, iniciou-se o debate muito profícuo. Ele é escritor surpreendente. Apesar de pouca produção, é um autor consagrado cujos textos já passaram para outras linguagens: teatro como Eles Eram Muitos Cavalos (já com 5 propostas deferentes), cinema (dois longas) e vários curtas.

 

Pensamentos:

 

“Como as religiões defendem princípios morais e não éticos, em nome de Deus cristãos matam judeusmuçulmanos matam cristãosbudistas matam muçulmanos... Deveríamos lutar para que nas escolas públicas se ensinasse o princípio ético “não matar” em geral, ou seja, o respeito à vida de todos igualmente, e não sua derivação moral, de que a ideia de “não matar” não serve para aqueles que pensam ou agem diferente de nós”.

 

“A intolerância, sob qualquer aspecto, é injustificável, pois contraria a própria noção de cultura, patrimônio civilizacional construído a partir das experiências comuns. O conceito de supremacia – seja ela étnica, religiosa, de gênero, de nação – é fruto da estupidez de quem desconhece a trajetória do ser humano sobre a Terra. E, em particular, o ressurgimento do ideário nazista é realmente nefasto, porque ressuscita um cadáver que julgávamos enterrado, e bem enterrado, responsável direto pela maior catástrofe da história da Humanidade, a Segunda Guerra Mundial, cujas cenas pavorosas estão disponíveis a qualquer pessoa na internet”.

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