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Felicidade

Cultura por Renata Barcellos em 2019-04-20 19:30:59

Atualmente, cada vez mais, o teatro tem apresentado propostas de linguagem híbrida na qual várias áreas (cênica, música, poesia...) dialogam. E, em “Felicidade” cuja estreia foi dia 5 de abril, às 18h, na Sala Multiuso do Sesc Copacabana, Marcos Americano (roteirista e diretor) conseguiu entrelaçar teatro, dança e música para a reflexão sobre a definição deste sentimento, luta incessante do homem.

Segundo o diretor, o processo de elaboração do roteiro exigiu “vários meses, estudamos peças de Shakespeare, Dias Gomes, além de textos filosóficos de Maeterlinck, Nietzsche, Espinosa e até do médium Chico Xavier... Convidamos o público a pensar e se divertir refletindo sobre o transcendente que habita em nós”. E o uconvite é muito bem aceito por quem vai assistir ao espetáculo. Ao entrar, a plateia recebe duas bolinhas de cores diversas para interação no meio do enredo no qual o questionamento é: “quem nunca quebrou a cara no amor?”. Nesse momento, jogam-se as bolas como protexto em nome das pessoas cujos relacionamentos foram mal sucedidos.

O elenco é constituido pelos atores Ângela Câmara, Eduardo Egrejas, Louise Zeni e Lucas Miranda cuja atuação condiz com a proposta do roteiro. Eles interpretam os quatro personagens os quais o público descobrirá se estão vivos ou são espíritos. Isso a partir da reflexão sobre o sentido da existência através de diálogos em torno da filosofia e espiritualidade.

Quanto ao roteiro especificamente, vale destacar alguns fragmentos como a definição: “O amor é o centro do universo do qual tudo gira”; reflexão: “tudo que chega é bom. O que parte também. É a dança da vida”, “vivemos para realizar o divino em nós”, “os lábios foram feitos para o beijo não para o desdém”; metáforas: “vida é uma dança”, “o ciúme lança uma flecha preta”; sinestesias: “acaricia o corpo”, “bom prato de carne seca apimentado”                                                 e modo textual injuntivo: “Faça o necessário para ser feliz. Lembre-se: a felicidade é um sentimento simples”.  

Em 33 anos de trabalho, Marcos Americano propõe em cada texto reflexão sobre os problemas sócio-econômico-político e filosófico com um tom leve. Prende a atenção do público.  Rubens Corrêa (1931-1996) foi homenageado por ele no solo Dia dos Loucos, em 2007. Nesse texto, levava a cena a realidade do Brasil e do mundo como ponto de partida para refletir sobre a vida (na ocasião, reuniu trechos de mais de cem livros de autores como Milton Santos, Jurandir Freire Costa, Noam Chomski e dramaturgos como Bertold Brecht, Oduvaldo Vianna Filho e Dario Fo). Entre seus trabalhos mais marcantes, estão: Sonho, de Strindberg, dirigido  por Rubens Corrêa, A Ilíada, direção de Hamilton Vaz Pereira, Esta noite se improvisa, direção de Amir Haddad, e Coletânea Nelson, direção de Abujamra no grupo F. Privilegiados. Também é autor da adaptação do infantil O duende e a menina que fazia ouro.

Para finalizar esta breve apreciação, fica a dica: imperdível!!! Vale a pena assistir!!! E um pouco da história do termo "felicidade": 

A abordagem mais antiga sobre o tema é um fragmento de um texto de Tales de Mileto, que viveu entre as últimas décadas do século 7 a.C. e a primeira metade do século 6 a.C. Segundo ele, é feliz “quem tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada”. Vale atentar para a expressão “boa sorte”, pois disso dependia a felicidade na visão dos gregos mais antigos.

Com o fim do mundo helênico e o advento da Idade Média, a felicidade desapareceu do horizonte da filosofia. Isso porque para filósofos cristãos como Agostinho de Hipona (354 d.C./430 d.C.), Anselmo de Canterbury (1033/1109) ou Tomás de Aquino (1225/1274), o que interessava era a salvação da alma. Os filósofos voltaram a se debruçar sobre o tema na Idade Moderna. John Locke (1632/1704) e Leibniz (1646/1716), na virada dos séculos XVII e XVIII, identificaram a felicidade com o prazer, um “prazer duradouro”. Alguns décadas depois, o filósofo iluminista Immanuel Kant (1724/1804), na obra “Crítica da razão prática” definiu a felicidade como “a condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontece de acordo com o seu desejo e vontade”. (https://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/filosofia-e-felicidade-o-que-e-ser-feliz-segundo-os-grandes-filosofos-do-passado-e-do-presente.htm).

Ficha técnica:

Roteiro e direção: Marcos Americano

Assistente de Direção, Cenário e Figurino: Simone Linhares

Elenco: Ângela Câmara, Eduardo Egrejas, Louise Zeni, Lucas Miranda

Iluminação: Aurélio de Simoni

Fotografia: Chico Lima

Assessoria de Imprensa: Mônica Riani + Claudia Miranda :: Arte em Comunicação Assessoria de Imprensa

Operador de Luz: Marcelo de Simoni

Operador de Som: Cláudio RochaDireção de Produção: Simone Linhares

Produção Executiva: Zezé Produções Artísticas

 Serviço:

Sesc Copacabana – Sala Multiuso (Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana)

Sexta a domingo, às 18:00

Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 72 minutos


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