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ISSO QUE VOCÊ CHAMA DE LUGAR

Cultura por Renata Barcellos em 2019-06-10 09:56:59

A peça “ISSO QUE VOCÊ CHAMA DE LUGAR” faz uma crítica pertinente ao extremo individualismo atual. O homem contemporâneo está cada vez mais egocêntrico. Não ouve e nem vê o outro ao seu lado. Muitas vezes, sinalizando estar em situação de risco, precisando de uma mão estendida, um abraço, uma palavra de conforto e / ou incentivo. Mas está ocupado consigo mesmo e cego para o outro. A partir desse atual cenário e de um belo processo coletivo, surge o texto de autoria de Daniel Herz, diretor e idealizador da montagem, com Clarissa Kahane, sua assistente na direção, e do elenco, composto por Carol Santaroni, Clarissa Pinheiro, Roberta Brisson e Tiago Herz,  cuja atuação é excelente.

Trata-se de quatro histórias paralelas que “se cruzam”, “se entrelaçam”. As personagens se encontram no palco, mas não na vida, reforçando a incomunicabilidade que existe nas relações contemporâneas. Assim, em cena, cada ator apresenta apenas a sua própria história que se entrelaça a outra através de  encontros. A dúvida é a principal questão em cada história relatada cujas temáticas são relacionamento homossexual, imigração, casamento de conveniência, relação mãe e filha, desvio de dinheiro público de hospitais, separação e relação pais e filhos... Todas essas são abordadas de forma a assemelhar-se a um quebra-cabeça com uma pitada de teatro do Absurdo pela forma como os personagens precisam tomar sérias decisões. Segundo Daniel Herz,  “Tive essa ideia das histórias simultâneas a partir da reflexão sobre o lugar em que cada um se situa a cada tempo. Ter um elenco tão talentoso e confiante neste formato faz do desafio uma aventura deliciosa. A peça pontua o perceptível crescimento do fluxo emigratório de brasileiros que buscam em outros países um aumento da qualidade de vida e alguns desdobramentos – estabilidade financeira, realização profissional e novos encontros amorosos. Para além das questões práticas, aparece o desejo não apenas de deixar o lugar onde se vive, mas de se encontrar em si mesmo.

É possível ter um projeto de vida potente dentro do nosso país ou a única saída é o aeroporto? Nunca tivemos tantas pessoas ‘navegando’ por essa dúvida”, provoca o diretor, aos 37 anos de carreira. A montagem tira o espectador da zona de conforto não somente em relação ao tema, mas também quanto à forma de contar essas histórias, brincando com o que parece e o que de fato é”.

A forma como as histórias são entrelaçadas é algo surpreendente. Quem trabalha com produção textual, sabe o quão árduo é a sua elaboração. E ainda com quatro narrativas reflexivas concomitantes “dialogando”, mais complexo ainda. A plateia precisa estar atenta para observar a dinâmica e a profundeza das questões abordadas. Em destaque, as mensagens finais como: “Não me faz desistir dos sonhos”, “Cada mãe é a que pode ser”, “hoje, não quero estar invisível” e “Melhor hora do dia quando minha mãe me via”. De acordo com Daniel Herz, “Um grande desafio foi encontrar o equilíbrio entre as dinâmicas cênicas e o fôlego do público para conseguir acompanhar as quatro histórias ao mesmo tempo. A plateia tem que ‘aceitar’ o desconforto inicial e depois se deleitar com a potência de conseguir se envolver com a situação limite de cada personagem”.

Vale a pena conferir pelo texto, pelas questões tratadas e a atuação dos atores!!! Parabéns a todos!!!

SERVIÇO:

Temporada: 07 a 30 de Junho
Horários: Sexta-feira e Sábado – 20h
Domingo – 19h
Local: Teatro Laura Alvim (Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema)
Duração: 70 minutos
Classificação: 12 anos

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