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(Im)penetrável

Cultura por Renata Barcellos em 2019-07-11 18:13:12

Ontem, fui à estreia da instigante peça (Im)penetrável, no Glaucio Gil. Belo texto denso e direção de Adilson Diaz. O enredo são questionamentos relativos ao relacionamento dos personagens interpretados pelos atores Luana Rocha e Thiago Marques como “E você, ficaria com você?”. Trata-se de um drama sobre quando se faz a opção por não mais permitir a entrada daquele que um dia nos habitou, escolhe-se o isolamento e, consequentemente, tornamo-nos insensíveis ao toque, ao sentimento e às transformações. Diante desses fatos, o que fazer?

Dessa forma, assistimos a cenas fortes de um casal, no limite de uma relação, em busca de respostas e espaços. Ao longo da encenação, vale destacar a linguagem corporal e a metáfora das luzes acesas e apagadas das luminárias ao longo do espetáculo.  Isso em meio às palavras “duras” (sufocadas com o tempo) proferidas como projeteis em direção ao outro. O que fica desta experiência? Um único questionamento: Existe alguma forma de recomeçar? Segundo o autor e diretor, Adilson Diaz, sobre a composição do texto “descobrimos que só seríamos o (im) se deixássemos ser penetráveis ao outro. Parece simples, mas é complexo permitir-se. Me vi nesse processo falando de mim, de nós e de todos que se atrevem a dividir a vida com o outro.

Cabe ressaltar a interação do casal com a plateia disposta em forma de arena deu maior movimento à encenação. Os inúmeros questionamentos: “quem de nós vai desistir?” e “onde você estava?”, por exemplo. A questão do medo (elemento norteador da relação apresentada): “temho medo de amar e você não estar” e do vazio: “o que tomou conta de mim não foi o vazio que você criou”, “eu não consigo preencher o vazio”..., ódio: “odeio perceber que você faz falta, odeio te amar, odeio te sentir dentro de mim, odeio fazer de você meu mundo....”, metáforas: “meu corpo febril, missel, campo de batalha, cicatrizes e marcas se perderam em mim”... E a conclusão de que tentaram diversas formas de “conexão”, a crença de ser para sempre e da necessidade de persistir.

O espetáculo proporciona um mergulho em cada um da plateia refletir sobre sua relação atual e as anteriores. Várias pessoas choraram ao longo da encenação. Qual o motivo? Não saberemos... Ficou um quê de questionamento. O fato é: colou de alguma forma em cada um que ali esteve. Parabéns a todos os envolvidos na produção !!!

Serviço

Teatro Glaucio Gil, Copacabana

Dias da semana: Quarta e quinta, às 20:30

 

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