Rede Mídia de Comunicação | Rede Sem Fronteiras

Você está em: Início > Notícias > Cultura > Eu sempre soube

Eu sempre soube

Cultura por Renata Barcellos em 2019-07-14 08:11:16

Ontem, fui assistir à Eu sempre soube e, ali ao longo da espetáculo, fui pensando que cada peça assistida, tenho surpreendido-me com novas linguagens e recursos diferentes utilizados pra abordagem de temas variados. O teatro contemporâneo tem inovado, tem se recriado e o resultado não poderia ser outro: público encantado e, por consequência, espaços estão cheios de pessoas de faixa etária, nível socioeconômico-cultural.... diversos. Salve, salve, o teatro brasileiro!!!

A peça Eu sempre soube cuja autoria e direção é de Márcio Azevedo é imperdível dada à relevante  e emergêncial importância do tema tratado: relação das mães com seus filhos LGBT’s. Foi merecidamente premiada: Prêmio Funarte de Dramaturgia 2018. O formato da proposta em palestra na qual a atriz Rosane Goffman no papel da jornalista Majô Gonçalo divulga o livro intitulado Eu sempre soube cujo título é a frase mais proferida pelas mães quando os filhos se assumem. Segundo Goffman, o texto “ me ganhou na primeira leitura! Me apaixonei e tive certeza que eu queria levar pro palco. Me sinto cumprindo uma missão dando voz a essas mães de LGBTQI+!”. Ele  é resultado de uma pesquisa com 92 mães sobre  a aceitação LGBT pela família sobretudo pela mãe. “Como é importante falarmos sobre isso! Eu, que sou mãe antes de qualquer outra coisa na minha vida, fico muito triste ao saber que somos o país que mais mata LGBTs no mundo. Quanta dor pra essas mães! Precisamos de empatia, respeito, amor ao próximo”, declara Rosane. Trata-se de um roteiro denso porque os casos narrados recentes são inaceitáveis. Por eles, verifica-se como uma parte da sociedade ainda não aceita a homofobia e transfobia e as mães renegam seus filhos/filhas quando eles assumem a homossexualidade/transexualidade. É uma bela iniciativa para levar a reflexão à plateia. fazer com que este quadro de extrema violência contra LGBT’s não mais exista. As pessoas precisam respeitar o que não é socialmente considerado padrão.

O cenário é constituído de um púlpito, uma cadeira e uma mesa com uma garrafa de água, um copo e um tecido transparente cuja iluminação a cada momento da interpretação da atriz muda para todas as cores da bandeira LGBT. Outro ponto a ser destacado é a trilha sonora ao vivo: um rapaz tocando violão cujo efeito é de dar mais veracidade e densidade aos fatos relatados. Vale destacar a forma de abertura do espetáculo: com a fala do autor e diretor Márcio Azevedo declarando sobre a não aceitação do seu pai sobre a opção sexual del e o agradecimento à presença de Agnaldo Silva e declarou: “pai que gostaria de ter tido, aos ensinamentos transmitidos a mim até hoje”. Em seguida, um espaço interessante para que artistas em geral se apresente. Ontem, foi uma poetisa de São Paulo declamar lindamente um poema sobre o espaço da mulher cujos fragmentos são: “ a quem diga que só a beleza nos cabe, a quem diga que a discrição nos salva... eu quero a nossa voz sem sinal de ruptura....”. Por fim, a bela interpretação de Que será (um clássico da música brasileira) por Claudette Colbert, em homenagem à maior cantora brasileira:a eterna Dalva de Oliveira.

Eu sempre soube é um espetáculo a ser assistido por todos, principalmente, por mães e educadores. Como professora, por vivenciar o drama de vários alunos, a família precisa aceitar, apoiar.... Urge a luta contra o preconceito!!! Parabéns pela iniciativa Márcio Azevedo e Rosane Gofman!!!

 

Ficha Técnica

 

Local: Teatro Dulcina
Endereço: Rua Alcindo Guanabara 17 – Centro.
Telefone: (21) 2240-4879
Sessões: Sexta a domingo às 19h
Período: 05/07 a 28/07
Elenco: Rosane Gofman
Direção: Márcio Azevedo
Texto: Márcio Azevedo

Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós

* Seus dados não serão exibidos a terceiros.

Publicidade

Veja também