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Aracy

Cultura por Renata Barcellos em 2019-08-24 22:27:07

Fomos assistir Aracy a convite de Bruno Morais, que, gentilmente, proporcionou-nos uma bela peça reflexiva. Ao entrar no teatro e nos acomodarmos, a atraiz cuja interpretação é excelente já estava encenando. No cenário, um varau com indumentárias de avó como chale de lã, uma bata... e, na composição, uma máquina de costurar, dentre outros objetos. O texto é baseado em uma história real da avó da atriz/autora Flavia Milioni e este fato foi objeto de pesquisa dela em seu mestrado.

A peça apresenta uma nova configuração: de memória e, ao mesmo tempo, reflexiva por abordar assuntos atuais como suicídio. Lamentavelmente, o índice só aumenta. Sobre essa questão, a atriz diz que “Em escala mundial, o suicídio mata mais do que todos os homicídios, incluindo os mortos em guerras. Ninguém gosta de falar no assunto e, ao mesmo tempo, todo mundo conhece alguém que se matou. Por que não enfrentamos essa sombra? Os casos só aumentam e os números são alarmantes. Falar sobre isso é parte do processo de cura”.

Além disso, há a  questão da mulher. Segundo  ela,  “ARACY” “É um trabalho que propõe, ao público, refletir sobre as mulheres que vieram antes de nós, e encontrar essas mulheres que somos ou que queremos ser. A peça evoca uma memória inventada, uma relação de avó e neta, que nunca existiu, criando o resgate de um laço ancestral, que, no fim, une todas nós”. Na peça, em tom de questionamento e crítica  a atriz diz: “qual o nome da mãe da sua mãe?” e “o nome da mulher desapareceu da história”, “a mulher que não se casa desaparece mais rápido”, dentre outros.

Outro fato relevante é a inovação da peça: uso de recursos tecnológicos como projetor para exibir os lugares relatados e a foto da avó Aracy, a carta e as músicas. A partir disso, é narrada uma misteriosa história de sua avó materna através dos rastros deixados por ela. Para isso, ela deparou-se com as consequências devastadoras do patriarcado na vida das mulheres. Descobriu que os sobrenomes possuem origem absolutamente oriunda dos pais e dos demais antecessores masculinos. Isso faz com que todas as mulheres sejam anuladas com o passar do tempo. Aracy se matou em 1954, aos 26 anos de idade. De acordo om a atriz, trata-se de: “uma investigação do processo de invisibilidade social da mulher, na linha hereditária feminina. Trata-se da busca de uma neta pela história de sua avó, esbarrando com as imposições do patriarcado estrutural”. Enfim, vale a pena conferir!!! É uma abordagem tão particular, mas, ao mesmo tempo, tão de identificação da populacão.  

 

Local: Teatro Poeira – Poeirinha
Endereço: Rua São João Batista, Nº  104 – Botafogo.
Telefone: (21) 2537-8053
Sessões: Quinta a sábado às 21h; domingo às 19h
Período: 22/08 a 08/09
Elenco: Flavia Milioni
Direção: Flavia Milioni

Texto: Flavia Milioni

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