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FLICAP - Festival Literário de Carapebus

Literatura por Renata Barcellos em 2019-09-16 17:43:41

No dia 13 de setembro de 2019, cheguei às 17 horas, na Escola Municipal Salim Salem Bichara, para o primeiro dia do Festival Literário de Carapebus, cujo público eram os educadores. A coordenadora do projeto Juliane (muito simpática e atenciosa apresentou-me à secretária de Educação do município, Silmara Silva dos Santos; e a multiartista homenageada Bia Bedran para eu entrevistá-las. Vale destacar a organização da unidade escolar para o evento e a qualidade dos trabalhos expostos nos murais sobre a produção da escritora.

Inicialmente, entrevistei a Secretária de Educação de Carapebus Silmara Silva dos Santos. 

Ela ingressou na Prefeitura desde 2000. Assumiu o cargo há 5 meses. Tem tido apoio da prefeita Cristiane Cordeiro. Agradeceu ao apoio dado para a realização de ações em prol de melhorias na área educacional. Declarou que a rede tem 14 escolas com 2500 alunos em média. Destas, há duas creches. E também EJA em duas unidades.

 

1-      Qual a expectativa com a realização do evento?

Silmara Santos: As melhores possíveis: incentivar a leitura, melhorar o desempenho nas avaliações internas e externas... Antes mesmo de começar o evento, já foram superadas. A prefeita, minha equipe pedagógica, o corpo docente e discente abraçaram a causa. Tenho prova viva dentro de casa. Meu filho estuda na rede e a cada dia voltava para casa motivado e, hoje, sonhou e acordou perguntando: “é hoje?”. Enfim, contagiou a todos.

2-      O que motivou a escolha de Bia Bedran?

Silmara Santos: Falar de literatura, de canção é falar de Bia Bedran. É uma referência. É carismática... Somos motivados, contagiados, estimulados lendo seus textos. Cativados a embarcar na leitura.

3-      Quais ações a Secretaria de Educação de Carapebus tem realizado para desenvolver a competência leitora dos alunos? Como tem sido o desempenho deles em avaliações externas?

Silmara Santos: Na rede, só 2 ou 3 escolas se sobressaem nas avaliações externas. A iniciativa do festival é mais uma ferramenta para contribuir com o desenvolvimento do desempenho dos alunos. Cada unidade escolar trabalhou um livro da Bia Bedran. Estamos investindo também no contra-turno no Pré-técnico preparatório  para o Ensino Médio. É oferecido em 3 unidades da rede. Também estamos oferecendo formação continuada para os professores.

Em seguida, fui apresentada à multiartista Bia Bedran (muito simpática e atenciosa). Entrevistei-a numa sala de aula - com murais sobre uma das obras dela - onde foi improvisado (digamos) um camarim. Com poltronas, mesa de lanche... Tudo muito organizado. E lá tinha uma lembrança para ela como uma camiseta do evento e um relógio com uma boneca artesal. Ela ficou emocionada.

Resumo da biografia de Bia Bedran

Beatriz Martini Bedran nasceu em Niterói, 26 de novembro de 1955.  Seu nome artístico é Bia Bedran. Ela é compositora, cantora, atriz e educadora musical brasileira. Formou-se em musicoterapia pela Faculdade de Musicoterapia no Rio de Janeiro e em Educação Artística com habilitação em música. É mestre pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em Estudos Contemporâneos das Artes, foi professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Entre 1973 e 1983, integrou o Quintal Teatro Infantil, no qual realizou trabalhos de atriz, cantora e diretora musical de todos os espetáculos infantis do grupo. Dentro outros trabalhos de destaque, também participou e fundou o "Bloco da Palhoça", com quem gravou seu primeiro disco na década de 1980.

Na décadas de 1980 e 1990, realizou trabalhos para a televisão. Foi a apresentadora do programa Canta Conto, realizado pela TVE do Rio de Janeiro, hoje TV BRASIL. Participou também do "Lá Vem História", da TV Cultura de São Paulo.

Ao longo de uma carreira, dedicada às crianças e à arte. É autora de 14 livros infantis e gravou e produziu 10 CDs e 2 DVDs, sempre mesclando o canto e a narrativa. É uma referência em arte e educação, com públicos cativos em shows, peças de teatro infantil e palestras para adultos. Como pesquisadora, lançou o livro A Arte de Cantar e Contar Histórias: Narrativas Orais e Processos Criativos, resultado de sua dissertação de mestrado e considerado Altamente Recomendável pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) em 2013, na categoria teórico.

 

Entrevista com Bia Bedran

1-      A partir de sua experiência com mais de 40 anos de TV, rádio, teatro, música, professora.., como percebe a competência leitora na sociedade contemporânea?

Bia Bedran: Estou em busca de uma resposta ainda para essa questão. Estou atuando dentro desta perspectiva e sentindo a evolução dos hábitos. A mudança tem sido grande se comparar o início da minha trajetória com agora. A Arte é o pensar sensível. A literatura tem a função de pôr um freio no uso desenfrado da tecnologia. A criança não aguenta mais de 50 minutos ouvindo contação de história ou assistindo a uma peça. Enquanto ela já desde muito cedo faz o movimento com os dedos de passar a tela, eu ensino o de passar as páginas de um livro. Cultivo a preservação das grandes referências como Saint Exupery. Sou uma das raras pessoas que consegue sobreviver de arte no Brasil. É um ato de resistência.

 

2-      Como os educadores e responsáveis podem e devem incentivar as crianças e os jovens?

Bia Bedran: É preciso estimular a criatividade. Não podar as asas da imaginação. Ainda há por parte da criança uma grande magia se estimulada. Tudo é a forma como você se expressa como iniciar uma história com o tom adequado “Era uma vez...”. Buscar fontes naturais (objetos...). Não deixar de se encantar. Aprender a conviver com o tecnológico (aula de robótica e informática, por exemplo) e o artesal. Fazê-los dialogar. Tornar o mundo menos mecanicista. Exercitar também a olhar para dentro de si e para fora. Desenvolver as múltiplas competências nas diversas linguagens.

3-      Como você vê a iniciativa de Carapebus em organizar um Festival Literário em um momento caótico no cenário cultural?

Bia Bedran: Em um momento no qual a preferência é pelo universo tecnológico, os professores da rede municipal têm necessidade de estimular os alunos a navegarem no literário. É um trabalho árduo desenvolver a competência leitora dos alunos, descobrir novos talentos e a navegar na literatura.

4-      Por que escolheu a obra “Ou isto ou aquilo” de Cecília Meirelles para musicalizar aos 14 anos? O que te tocou na obra dela?

Bia Bedran: Desde menina, sempre fui leitora de Cecília das diversas obras como o Romanceiro da Inconfidência. Quando musicalizou aos 14 anos a obra “Ou isto ou aquilo”, o viúvo da poetisa (Grilo) autografou o meu trabalho. Pretendo musicalizar 15 poemas dela em homenagem. É necessário manter a obra dela assim como de outros grandes nomes como João de Barros e Braguinha viva. O educador é um elemento multiplicador. Deve compartilhar para servir de instrumento de inspiração das crianças para novas criações como fizeram aqui com minhas obras. Que os alunos possam descobrir outras formas de se expressarem, de resignificarem o meu trabalho. É fundamental a sensibilização dos educandos.

 

Depois já com a presença dos professores, autoridades do local (representante da prefeita, secretária de cultura, vereadores...), a cerimônia iniciou-se. Destaco os principais pontos: os objetivos da prefeitura na área educacional: incentivar a leitura e o conhecimento de mundo para que os alunos tornam-se críticos. A declaração da secretária de educação Silmara Santos cujo filho estuda na rede municipal: “como mãe pude comprovar o quão efetivo e significativo foi o trabalho realizado por vocês professores, coordenadores... Sucesso porque a equipe embarcou na ideia”. Ela agradeceu também ao comercio local pela colaboração do projeto Pedal literário. O marido da prefeita, Eduardo Cordeiro, representou-a e disse o quanto a educação e a cultura são essenciais para a formação do cidadão.  Houve apresentação da contadora de história Fabiana e declamação com a escritora da cidade: Ana Pula Souza Filgueira. E, em seguida, o momento mais esperado: a apresentação de Bia Bedran (maravilhoso). Depois, já próximo ao encerramento, como representante da Academia Capixaba de Letras e Artes, no Rio de Janeiro , fui chamada para entregar os certificados de honra ao mérito - Personalidade cultural das Letras e Artes: Bia Bedran, Silmara Santos e a escritora responsável pela obra sobre a história do município Anna Maria Vasconcellos Almeida. Depois, mais apresentação da excelente Bia Bedran. Por fim, sessão de autógrafos com a escritora e um delicioso e organizado coquetel. Todos nesse momento puderam confraternizar e comemorar a bela noite cultural.

No segundo dia, a partir das 14 horas, na praça Frei Balthazar, nos arredores da igreja matriz da Nossa Senhora da Conceição, houve as tendas das unidades escolares apresentando cada qual a obra escolhida de Bia Bedran. Cabe destacar a qualidade dos trabalhos apresentados. Enquanto educadora, fiquei encantada e feliz por perceber o envolvimento de todos para a realização do belo projeto. Também ocorreu a exposição de livros de autores locais como Ana Pula Souza Filgueira, Anna Maria Vasconcellos Almeida e Renata Barcellos e de externos, por exemplo, meu amigão Bruno Black (responsável por incentivar os jovens da periferia a desenvolverem seu tom). Além desses espaços, outros com oficinais pedagógicas de música, pintura, contação de historia... No horário das 19 horas, iniciou o show musical de Bia Bedran. Para encerrar o festival, sorteio de bicicletas para alunos e professores da rede municipal.

Ufa, quantos acontecimentos, historias, conversas em 2 dias intensos de cultura. Parabéns a todos pela iniciativa, pela programação, organização e qualidade dos trabalhos apresentados. Que outros festivais venham para não só incentivar a leitura como também serem descobertos novos talentos. Afinal, como o multiartista Bruno Black diz­: “se tens um tom, seja!”. 

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