Rede Mídia de Comunicação | Rede Sem Fronteiras

Você está em: Início > Notícias > Cultura > Teatro brasileiro

Teatro brasileiro

Cultura por Renata Barcellos em 2019-09-19 10:24:19

O teatro brasileiro surgiu com a tentativa de os portugueses “escizarem” os índios no século XVI. Com esse objetivo, eles trouxeram não só a nova religião católica, mas também uma cultura diferente, em que se incluía a literatura e o teatro baseado na Bíblia. Nessa época, o responsável por esta Arte, bem como pela autoria das peças, foi Padre Anchieta. É dele a autoria de Auto de Pregação Universal, escrito entre 1567 e 1570, dentre outras. As primeiras peças utilizavam elementos da cultura indígena (a começar pelo caráter de "sagrado" que o índio já tinha absorvido em sua cultura), misturados a esses elementos, estavam os dogmas da Igreja Católica, para que o objetivo da Companhia - a catequese - não se perdesse. Vale destacar que eram escritas em tupi, português ou espanhol. Nelas, os personagens eram santos, demônios, imperadores e, pôr vezes, representavam apenas simbolismos, como o Amor ou o Temor a Deus. Com a catequese, o teatro acabou se tornando matéria obrigatória para os estudantes da área de Humanas, nos colégios da Companhia de Jesus. No entanto, os personagens femininos eram proibidos (com exceção das Santas), para se evitar uma certa "empolgação" nos jovens.

Foi na segunda metade do século XVIII que as peças teatrais passaram a ser apresentadas com uma certa frequência. No século XVIII e início do XIX, os atores eram pessoas das classes mais baixas, em sua maioria mulatos. Havia um preconceito contra a atividade, chegando inclusive a ser proibida a participação de mulheres nos elencos. Com isso, os próprios homens representavam os papéis femininos e eram chamados de "travestis". Mesmo quando a presença de atrizes já havia sido "liberada", por causa da classe de artistas ser mal vista, as mulheres se afastavam dos palcos nesta época.

Quanto ao enredo, destaca-se a grande influência estrangeira no teatro brasileiro dessa época. Dentre nomes mais citados estavam os de Molière, Voltaire e Shakespeare. Apesar da maior influência estrangeira, alguns nomes nacionais também destacaram-se: Luís Alves Pinto, autor da comédia em verso Amor Mal Correspondido; Alexandre de Gusmão, tradutor da comédia francesa O Marido Confundido; Cláudio Manuel da Costa, autor de O Parnaso Obsequioso

A vinda da família real para o Brasil, em 1808, trouxe uma série de melhorias para o Brasil. Uma delas foi direcionada ao teatro. D. João VI, no decreto de 28 de maio de 1810, reconhecia a necessidade da construção de "teatros decentes". Este representou um estímulo para a inauguração de vários teatros.



O teatro nacional (de fato) só veio se estabilizar em meados do século XIX, quando o Romantismo teve seu início. Martins Pena foi um dos responsáveis, através de suas comédias de costumes. Outros nomes de destaque da época foram: o dramaturgo Artur Azevedo, o ator e empresário teatral João Caetano e, na literatura, o escritor Machado de Assis. A tragédia Antônio José ou O poeta e a inquisição escrita pôr Gonçalves de Magalhães (1811-1882) e levada à cena pôr João Caetano (1808-1863), a 13 de março de 1838, no teatro Constitucional Fluminense, foi o primeiro passo para a implantação de um teatro considerado brasileiro.

Também em 1838, no dia 4 de outubro, foi representada pela primeira vez a comédia O juiz de paz da roça, de Martins Pena (1815-1848), também no teatro Constitucional Fluminense pela mesma companhia de João Caetano. A peça foi o pontapé inicial para a consolidação da comédia de costumes como gênero preferido do público. Como as peças de Martins Pena estavam integradas ao Romantismo, eram bem recebidas pelo público, cansado do formalismo clássico anterior. O autor é considerado o verdadeiro fundador do teatro nacional, pela quantidade - em quase dez anos, escreveu 28 peças - e qualidade de sua produção. Sua obra, pela grande popularidade que atingiu, foi muito importante para a consolidação do teatro no Brasil.

Já, no Realismo, um nome de grande importância para o teatro é o do dramaturgo Artur Azevedo (1855-1908). Segundo J. Galante de Souza ( O Teatro no Brasil, vol.1), Artur Azevedo "foi mais aplaudido nas suas bambochatas, nas suas revistas, escritas sem preocupação artística, do que quando escreveu teatro sério. O seu talento era o da improvisação, fácil, natural, mas sem fôlego para composições que exigissem amadurecimento, e para empreendimentos artísticos de larga envergadura".



De 1937 a 1945, a ditadura procura silenciar o teatro, mas a ideologia populista, através do teatro de revista, mantém-se ativa. Surgem as primeiras companhias estáveis do país, com nomes como: Procópio Ferreira, Jaime Costa, Dulcina de Moraes, Odilon Azevedo, Eva Tudor, entre outros.

Mas foi com a estreia de "Vestido de Noiva", de Nelson Rodrigues, em 1943, que a crítica apontou o nascimento do nosso teatro moderno. Com direção do polonês Ziembinski, a peça quebrava com todos os padrões da época. "A montagem misturava tempos. Não era só do presente olhando para o passado, mas uma peça que pela primeira vez permitia olhar o futuro", conta o diretor Celso Nunes.  Ziembinski trouxe de fora a iluminação nova, o cenário, a interpretação entre o expressionismo e o naturalismo.

Em 1964, com o Golpe Militar, as dificuldades aumentam para diretores e atores de teatro. A censura chega avassaladora, fazendo com que muitos artistas tenham de abandonar os palcos e exilar-se em outros países.

"...São infindáveis as tendências do teatro contemporâneo. Há uma permanência do realismo e paralelamente uma contestação do mesmo. As tendências muitas vezes são opostas, mas freqüentemente se incorporam umas as outras..." (Fernando Peixoto – O que é teatro).

O teatro contemporâneo é marcando a abertura política, Celso Nunes finalmente estreia sua peça que havia sido proibida durante sete anos. Em "Patética", ele conta a morte do jornalista Vladmir Herzog. "A peça tinha sido premiada como melhor texto e proibida no mesmo ano, pelo regime. Só em 81 consegui montar", conta Nunes. Nesse ínterim, Boal desenvolveu o Teatro do Oprimido, com a democratização dos meios de produção teatral e acesso das camadas sociais menos favorecidas.

O surgimento da primeira dramaturgia brasileira infantil: O Casaco Encantado, de Lúcia Benedetti, em 1948. A autora escreveu a peça a pedido do empresário Francisco Pepe, entretanto, este desistiu do projeto. Paschoal Carlos Magno assumiu a direção do espetáculo junto à Companhia Artistas Unidos, tendo à frente a atriz Henriette Morinaux. Esta peça revelou uma dramaturgia dotada de valor artístico e sem cunho pedagógico ou moralizante.

Também em 1948, o grupo TESP (Teatro Escola de São Paulo) estreava Peter Pan, no Teatro Municipal de São Paulo, sob o comando de Tatiana Belinky e Júlio Gouveia.

O TESP teve muita importância para a história do teatro infantil, com diversos trabalhos realizados até 1964, além de ter sido o responsável pela incursão na televisão brasileira, em 1951.

Já, no Rio de Janeiro, outro nome começava a entrar para a história: Maria Clara Machado. Em 1953, a autora montava sua primeira peça direcionada ao público infantil, nomeada O Boi e o Burro a Caminho de Belém. Foi um sucesso. Em seguida, ganhou dois prêmios em dramaturgia pela prefeitura do Rio de Janeiro. As respectivas peças eram: O Rapto das Cebolinhas e A Bruxinha que era Boa. Em 1955, escreveu aquela que é considerada até hoje sua obra principal: Pluft, o Fantasminha.


Eu acho que a gente não deve ensinar a criança numa peça. A gente deve montar uma peça como se monta uma de adulto: é um conflito, tem que haver um conflito na peça, é essencial na dramaturgia. (…) uma história tem que acontecer, trabalhar com a imaginação e a fantasia de uma maneira que depende do talento de cada um (…) tem que passar para o espectador um momento de poesia, uma sensação, (…) Quando escrevemos para crianças somos apenas aqueles que estão abrindo o caminho que vai do sonho à realidade. Estamos criando, através da arte e a partir do maravilhoso, a oportunidade do menino sentir que a vida pode ser bonita, feia, misteriosa, clara, escura, feita de sonhos e realidades (Maria Clara Machado).


A pedagoga e atriz Alinne Santos defende a inserção da atividade no currículo escolar.

Segundo ela, no artigo "O teatro e suas contribuições para educação infantil na escola pública", publicado em 2012, os principais benefícios da prática na educação são: contribui para o desenvolvimento e formação do caráter, melhora e favorece a dicção, faz crescer a autoestima, combate a timidez e a vergonha, ensina a relacionar-se com outras crianças e trabalhar em grupo, socializar ideias, favorece o autoconhecimento, desperta a consciência corporal e a coordenação motora, reforça o interesse pela leitura, literatura e poesia, ensina a controlar suas emoções, motiva o exercício do pensamento, além de permitir que as crianças brinquem com o mundo da fantasia.



CURIOSIDADES SOBRE O TEATRO



Merda” é o equivalente a “boa sorte”


Antes de entrar em cena, é comum os profissionais desejarem e agradeçerem “merda” uns aos outros. Essa tradição está relacionada ao período Elisabetano (1558-1625) em que as pessoas iam de carruagem assistir às peças.



O teatro já foi adaptado para o rádio


Em 1922, foi ao ar a primeira dramatização radiofônica. Ela foi transmitida pela rádio WGY, de Nova York, e a peça era “O lobo”, de Eugen Walter. No Brasil, esta arte só estreou em 1937, na Rádio Nacional o Teatro em Casa, antes mesmo das famosas radionovelas.




Nelson Rodrigues é o percussor do teatro moderno brasileiro


Foi com a estreia de “Vestido de Noiva”, história de uma jovem atropelada que relembra os conflitos com a irmã. Esta peça teatral de Nelson Rodrigues foi considerada pela crítica o início do teatro moderno no Brasil, em 1943.

A grande novidade proposta pelo autor foi a montagem,mistura os tempos presente, passado e futuro. Além disso, o diretor polonês Ziembinski trouxe de fora elementos novos, como a iluminação, o cenário e a interpretação expressionista-naturalista.

Romeu e Julieta” é a peça de teatro mais famosa do mundo

O clássico de William Shakespeare é o mais lembrado quando se refere ao teatro em todo o mundo. Uma curiosidade sobre teatro: a peça não é apenas sobre uma história de amor impossível entre dois jovens, mas também sobre a razão filosófica e os prazeres mundanos. Já a peça mais montada é o clássico Hamlet, também de Shakespeare.



O teatro tem um dia só para ele


Em 27 de março, é celebrado o Dia Mundial do Teatro. Essa efeméride foi criada em 1961, pelo Instituto Internacional de Teatro da Unesco.



O primeiro teatro do Brasil


Primeiramente, é importante ressaltar que já existiam alguns pequenos teatros espalhados por São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Maranhão antes do Decreto de 1810. Dentre eles, podemos citar a Casa da Ópera em Ouro Preto (MG), o Teatro São João em Salvador (BA) e o Teatro União, em São Luís (MA).

Entretanto, o primeiro Grande Teatro brasileiro foi o Real Theatro São João, no Rio, inaugurado em 1813. O edifício sofreu alterações em sua estrutura devido a três incêndios e precisou passar por reformas e até reconstruções. Além disso, mudou de nome algumas vezes — o mais conhecido deles foi Teatro São Pedro. A partir de 1923, passou a ser conhecido por sua alcunha atual: Teatro João Caetano.



As peças teatrais mais icônicas do país


Conheça, agora, as principais obras dramatúrgicas brasileiras, sucesso de público e crítica.


O Juiz de Paz na Roça

É a primeira comédia de costumes brasileiro, tem 23 atos e foi escrita por Martins Pena em 1838 — é considerada uma das melhores obras dramáticas do Brasil, com críticas sociais aos costumes do Rio de Janeiro. Sua primeira encenação nos palcos aconteceu em outubro de 1938.


O Auto da Compadecida

De Ariano Suassuna, foi encenada para primeira vez em 1956, em Pernambuco, e dirigida por João Cândido. Seu sucesso se deu ao misturar de maneira inteligente elementos do barroco católico e da cultura popular, passando pelo cordel e pela comédia. Em 1999 virou filme e é celebrado até hoje.


O Pagador de Promessas

Escrita por Dias Gomes, teve sua estreia em 1960, no Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo. Seu filme homônimo foi escrito por Anselmo Duarte e lançado em 1962 — o longa levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França.

A Partilha

Esta é a obra mais atual da lista e foi escrita e dirigida por Miguel Falabella em 1991. A comédia dramática ficou 6 anos em cartaz e foi encenada em 12 países, o que levou a uma continuação em 2000: A Vida Passa, também de autoria de Falabella.



Viva o teatro brasileiro!!!







Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós

* Seus dados não serão exibidos a terceiros.

Publicidade

Veja também