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TODO ANJO É TERRÍVEL

Cultura por Renata Barcellos em 2019-11-20 21:52:17

Hoje, fui assisti a TODO ANJO É TERRÍVEL cujo belo texto e interpretação é de Ingred Rocha e direção de Leon Góes. Ao chegar, deparei-me com um cenário muito familiar: livros (dentre eles de autoria de Celso Furtado e Chico Buarque de Holanda) e um quadro de giz. A peça trata dos conflitos de uma adolescente como sua ida a um colégio católico imposto pelos pais, o fato de sua mãe considerá-la “louca” e o fato de desejar um padre sexualmente. 

Vale destacar que o título do espetáculo Todo anjo é terrível remete a uma poesia de Rainer Maria Rilke intitulada Elegias de Duíno. O primeiro questionamento deste texto é citado ao longo da encenação. Leiamos a primeira parte:

PRIMEIRA ELEGIA DE DUÍNO

Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois o que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo Anjo é terrível.
E eu contenho, pois, e reprimo o apelo
do meu soluço obscuro. Ai, que nos poderia
valer? Nem Anjos, nem homens
e o intuitivo animal logo adverte
que para nós não há amparo
neste mundo definido. Resta-nos, quem sabe,
a árvore de alguma colina, que podemos rever
cada dia; resta-nos a rua de ontem
e o apego cotidiano de algum hábito
que se afeiçoou a nós e permaneceu.
E a noite, a noite, quando o vento pleno dos espaços
do mundo desgasta-nos a face – a quem se furtaria ela,
a desejada, ternamente enganosa, sobressalto para o
coração solitário? Será mais leve para os que se amam?
Ai, apenas ocultam eles, um ao outro, seu destino.
Não o sabias? Arroja o vácuo aprisionado em teus braços
para os espaços que respiramos – talvez os pássaros
sentirão o ar mais dilatado, num vôo mais comovido.

 A peça abrange a complexidade do ser humano (pecar e não pecar – ser bom e ruim) e suas constantes angústias “Padre, pequei”. Os assuntos tabus ainda hoje nas famílias: mestruação, sexo... É urgente que a família brasileira reveja sua forma de lidar com os filhos. Orientação sexual é preciso! Ontem, ouvi de uma turma do segundo ano do Ensino Médio que os pais (na grande maioria) não conversam sobre essas temáticas. Nem mesmo as meninas quando iniciam a mestruação.

O monólogo cuja duração é de 40 minutos aborda muito bem os dilemas vivenciados por muitos adolescentes na atualidade. É uma bela proposta para ser assistida por responsáveis e estes possam refletir sobre a forma como vêm lidando com seus filhos.

Ao longo do texto, é utilizada uma metáfora do “mel” e do “favo”. Esta deixarei para ser desvendada por quem for assistir à peça e, também, sobre as consequências do interesse da adolescente pelo padre.

Frases da peça para reflexão:

“todo anjo é terrível”.

“Viver é perigoso”.

“Tive medo”.

“Mãe, a nossa aliança está rompida”.

“O que me resta?”.  

 

Teatro Dulcina


Rua Alcino Guanabara, 17
Centro – Metrô Cinelândia
Terça (19/11) às 19H
Quarta (20/11) ás 19H

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