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Roda de conversa Poesia Experimental na América do Sul

Literatura por Renata Barcellos em 2019-12-15 15:15:45

"A arte, a poesia, são possíveis formas de apropriação e tratamento do real; e, ao mesmo tempo, formas de responder aos discursos dominantes, atos de resistência contra o caos da vida”.  (Claudio Mangifesta)


No dia 12 de dezembro de 2019, houve uma instigante roda de conversa sobre Poesia Experimental na América do Sul, na Galeria Paulo Branquinho, no Rio, com a presença do artista convidado Claudio Mangifesta (ARG - curador – poeta visual e professor universitário), artista convidado; e participaram também Marco Alexandre Oliveira Doutor em Literatura) (o Gringo Carioca), com a fermormace Entre cuja mediação foi de Tchello d’Barros. Para a composição dos debatedores, também estavam presentes Brenda Marques (Mestre em Poesia Sonora), Eric Collette (do artista visual), e de Alex Hambúrger (poeta sonoro e performer) e eu, Renata Barcellos (Pós-doutoranda em Poesia Visual), além do curador e mediador Tchello d’Barros

O encontro iniciou com a performance “Entre”, de Marco Alexandre Oliveira (o Gringo Carioca). Vale destacar um fragmento do texto: “Entre Deus e o Diabo, o homem; entre a fala e a escrita, a linguagem; entre o bem e o mal, a luta; entre eu e você, o outro; entre o amor e o ódio, a paixão; entre o ser e o não ser, a questão”. Em seguida, o mediador, o artista visual Tchello d’Barros, sugeriu que cada um de nós se apresentasse. Claudio Mangifesta declarou que há 40 anos é poeta visual. Desde 2015, considera o livro como suporte, costurando-o, picotando-o, reconstruindo-o... Utiliza ferro para desenhar a letra, dar vida à gravura...

Brenda Marques Pena relatou-nos sua pesquisa em poéticas experimentais, especificamente, a Poesia Sonora. Divulgou seu novo projeto com performance em parceria com o professor Elcio Lucas (professor da Universidade de Montes Claros - MG). Destacou o filme Corpo Manifestode Carol Araujo, para ressaltar sua reflexão sobre o corpo feminino (seus limites e o pertencimento). E, por fim, destacou o trabalho Tropofonia, no programa da Rádio Experimental da UFMG.

Já Alex Hambúrger declarou que teve contato com diversos alfabetos devido a sua origem (Sérvia – Israel) e cresceu no período da Contra-cultura, frequentou reuniões no apartamento de Nise da Silvera. A qual dizia que: “os poetas descobriram o inconsciente antes de Fred. Sou autodidata. Não sonhava em pertencer a um grupo porque eram muito fechados. Agora, é momento de uma arte mais de confronto”.

Depois das apresentações, o artista visual Tchello d’ Barros solicitou o início da conversa com Claudio Mangifesta. O artista argentino traçou sua produtiva e inovadora trajetória acadêmica. O poeta visual relatou-nos que “a linguagem é sempre uma guerra da palavra, da língua falada e da filosofia”. Compara-a a uma “luta de forças” devido à forma como o poeta se posiciona, participa da interação. Segundo ele, “a grande questão de uma obra é o que ela desperta”. Discorreu também sobre o lugar do texto na Poesia Visual. Para o artista, se “não tem texto, não é Poesia Visual”. Mangifesta compartilha da opinião de Padin: “se o trabalho não tem um elemento que leva a palavra, já não pode ser considerada Poesia Visual e sim Artes Visuais”. Acrescentou que “a poesia precisa tocar o outro e provocar alguns questionamentos”  como: “O que diz a obra?” e “Quem a vê?”

Outros pontos abordados foram com relação ao futuro da Poesia experimental: “sou otimista com o futuro. Não devemos e podemos generalizar. Tenho um curso de Poesia Visual. Uma vez por semana com duração de 2 horas. O futuro da Poesia Experimental demanda a reinvenção da sensibilidade. Especificamente, quanto à Poesia Visual, deve circular em novos formatos e conceitos.

Para finalizar este registro acerca da reflexão de Poesia Experimental por Claudio Mangifesta, destacamos uma consideração dele sobre a obra do artista visual Tchello d ́Barros: “Um trabalho completo em permanente movimento, rico em deslocamentos inquietos e profundos. Uma obra que dialoga com a poderosa tradição da poesia concreta, do neoconcretismo, do poema processo, do poema semiótico e do experimentalismo”.

 

 

                                                                           

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