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Enquanto estamos juntos

Cultura por Renata Barcellos em 2020-03-08 23:42:17

A peça “Enquanto estamos juntos” proporciona o público a conhecer um jovem casal (Klei e Julia) na faixa dos trinta e cinco anos e seus temores e a repensar suas próprias relações  a partir de situações quotidianas como apagar luzes, tempo de duração de banho. O início é similar a uma palestra de um terapeuta. O ator Bernardo Felinto faz uma correlação do “estar apaixonado” com o uso de analgésicos como Paracetamol e Novalgina.

O texto de Bernardo Felinto e Isabelle Borges é uma bela reflexão sobre vários aspectos de um relacionamento. Ele é híbrido. É constituído de monólogos (momentos que repensam suas histórias, relatando as suas angústias como Júlia ao mencionar seus medos), músicas, belas palavras do poeta Charles Bukowski (considerado o último escritor maldito da literatura norte-americana)...

A temática abordada “relacionamento” é proposto de uma forma diferenciada. O ator inicia como se estivesse em uma terapia a fim de contextualizar o público quanto ao teor do espetáculo a ser apresentado. Duas questões a serem salientadas são: primeiro, o perfil de Júlia, mulher feminista, contemporânea. Responsável pelo grande conflito apresentado: a da proposta de relacionamento aberto; segundo, o de Clei, homem seguro e independente ao longo dos 3 anos de relacionamento passa a ser o inverso. Por causa disso, com o tempo, ela foi desencantando e, por consequência, o desgaste ocorreu.

O sentimento do “medo” atravessa o texto: de se apaixonar, de se abrir para o novo: emprego, formas de relacionamento “aberto”, de terminar uma relação, de ser abandonado... Isso tudo são questões inerentes às pessoas. A metáfora finalizadora da peça “balanço” é muito pertinente: ora estamos em cima, ora em baixo; a relação não depende só do movimento de um. Os dois precisam estar sincronizados. Querendo ir e vir neste balançar. Como diz o amor da minha vida Campos: “Não basta AMAR, é preciso querer AMAR”. Deve-se dia a dia alimentar este sentimento atemporal e fundamental em qualquer tipo de relação: AMOR. Amemos uns aos outros cada vez mais e mais!

Algumas reflexões de Charles Bukowski (1920-1994):

 

“Amor? É como quando você vê a névoa de manhã,
quando você acorda antes do sol nascer.
É como um breve instante que depois desaparece.
Apenas isso, o amor é uma névoa que queima com a primeira luz de realidade”.

 

O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece”.

 

As pessoas apaixonadas, em geral, se tornam impacientes, perigosas. Perdem o senso de perspectiva. Perdem o senso de humor. Ficam nervosas, tornam-se chatas, psicóticas. Podem virar assassinas”.

 

“e que as palavras
difíceis
que sempre temi
dizer
podem agora ser
ditas:

eu te
amo”.

 

Texto: Bernardo Felinto e Isabelle Borges

Elenco: Bernardo Felinto e Rebeca Reis

 

Teatro Fashion Mall 

Estrada da Gávea, 899 – São Conrado

 

De 07 a 22 de março de 2020

Sábados às 21h e domingos às 20h

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